Trampo Social valoriza a potência do pensar coletivo para promover aprendizagens

(Por Laura Gonçalves Sucena)

Jovens engajados, comprometidos e cheios de vontade de fazer e de contribuir para um mundo melhor. Esse é o perfil dos 28 participantes do projeto Trampo Social, iniciativa do programa Juventudes da Fundação FEAC, que visa preparar jovens moradores de Campinas/SP para atuação profissional e com potencial para geração de impacto em suas comunidades.

Nos primeiros encontros do Trampo Social, ocorridos nos dias 23, 24 e 25 de novembro, o pessoal do Coletivo Sem Rótulo recebeu os jovens e lançou os questionamentos: Qual é nosso propósito? Quem sou, para onde vou? Com quem vou? A ideia foi mostrar o percurso que irão percorrer ao longo das atividades e integrar os participantes.

Após as boas vindas, todos se conheceram, falaram sobre as expectativas, receberam um panorama sobre o mercado de trabalho, apresentaram suas habilidades e competências e comentaram sobre oportunidades de desenvolvimento e como os sonhos podem servir de motivação para seus planos.

Os jovens também puderam falar sobre suas vidas, conheceram seus colegas e trocaram experiências. A ideia foi valorizar a potência do pensar coletivo com atividades abertas, dinâmicas, favorecendo experimentações e partilha.

Segundo Marina Carvalho, gestora de projetos do Coletivo Sem Rótulo, a diversidade de pensamentos e olhares contribui para diálogos mais profundos e experiências mais empáticas. “Criar espaços de confiança onde os rótulos e julgamentos sejam colocados de lado e todo participante tenha espaço em colocar-se de forma verdadeira e autêntica é fundamental para o processo”, comentou.

Para Tatiane Zamai, responsável pelo projeto Trampo Social, o primeiro encontro trouxe a sensação de superação dos objetivos e ganhos prospectados com esta iniciativa. “Recebemos 465 inscrições, tornando complexa a escolha dos participantes. Foram vários processos até conseguirmos chegar aos 30 selecionados. Uma importante conexão e entrosamento ocorreu logo nos primeiros momentos do encontro, viabilizando um espaço único e aberto para novos saberes e aprendizados, além de gerar um notável entusiasmo para os próximos módulos. Estamos certos de que muita coisa boa vem por aí!”, disse.

Aprender a ser

No primeiro dia de curso, os meninos e meninas falaram sobre seus propósitos, identidades, participaram de dinâmicas, conheceram o que está acontecendo no mercado de trabalho e ainda discutiram sobre quais as novas habilidades que são desejadas. O objetivo foi refletir sobre os seus talentos, extrapolando aptidões formais e informais:  o que gostam e o que querem aprender para o futuro e como isso pode ser utilizado para solucionar problemas sociais, ambientais e de comportamentos humanos.

Ezequiel Ribeiro de Jesus, 19, ficou sabendo do Trampo Social pela instituição Comec. “Esses três dias estão mudando minha vida porque são muitas trocas. O curso é bem intenso, mas não é cansativo. Agora eu tenho certeza que quero trabalhar com jovens e que vou conseguir. Quero ajudar do mesmo jeito que fui ajudado, quero crescer na vida e para isso tenho um plano traçado”, contou.

Durante o segundo dia, o pessoal falou sobre diversidades, semelhanças e individualidades; direitos humanos; julgamentos e empatia. Além de conhecerem o que propõe a Declaração Universal dos Direitos Humanos, os participantes também escolheram um desafio atual, relacionado aos direitos humanos e exercitaram propor soluções criativas para tais problemas.

O processo de despertar empatia também foi abordado e como é preciso estabelecer uma conexão emocional com o outro. O pessoal também foi questionado sobre os direitos fundamentais para uma convivência harmônica e quais são os desafios para olhar para as diferenças de uma forma mais empática.

Por meio de dinâmicas, o grupo conseguiu criar um espaço de segurança e de troca. “O entrosamento é importante para ambientes de aprendizagem porque potencializa a experiência. Acredito que nosso segundo dia foi muito vivencial, repleto de reflexões e compartilhamento”, afirmou Marina.

Para a participante Nathália Calhau, 24, o curso está sendo muito intenso e cheio de dinâmicas interessantes. “Eu quero muito trabalhar na área social, fazer Serviço Social, e eu me identifiquei pelo projeto. Aprendi a tirar as armaduras, ter mais empatia e me conectar com o outro. A vida é um constante aprendizado e acho que sempre dá para melhorar”, revelou.

Guilherme Dias Pereira, 22, também está animado com o Trampo Social. “Eu gosto de trabalhar com jovem porque cresci na periferia e sempre me comuniquei muito bem. Aprendi a não rotular os outros, a não tirar conclusões precipitadas e a ter uma nova visão do ser humano. Isso vai me ajudar na minha profissão e esse curso tá valendo muito a pena”, completou.

Comunicação

Para falar sobre os conflitos, o último dia do encontro foi baseado no conceito de Comunicação Não-Violenta (CNV). A facilitadora e arquiteta Letícia Ribeiro falou para o grupo sobre a importância de se reavaliar atitudes, pensamentos e sentimentos.

Boa parte dos conflitos que temos com outras pessoas podem ser causados mais pela forma como expomos nossas ideias do que propriamente pelas diferenças de opinião. Baseado nesta crença, o psicólogo Marshall Rosenberg desenvolveu o conceito de Comunicação Não-Violenta (CNV), que seria capaz de estimular a compaixão e a empatia (também por isso chamada de Comunicação Empática).

No encontro, foram apresentadas técnicas de CNV para a resolução de problemas e quais as formas culturais predominantes de nos comunicarmos que nos levam a entrar em conflito com colegas, familiares e pessoas com opiniões ou culturas diferentes.

“Trata-se de um modo de vida baseado na compaixão que, exercida por meio da comunicação, cria relações pacíficas entre as pessoas. Ela é muito útil para resolver conflitos e identificar as necessidades de si mesmo e do outro. A CNV oferece quatro pontos de partida para nos conectarmos com o outro: observar sem julgar; nomear os sentimentos; identificar e expressar as necessidades; e formular pedidos claros e viáveis”, explicou Letícia.

Wagner da Silva Ferreira, 20, está entusiasmado e cheio de expectativas. “Sou formado em balé clássico por meio de um projeto social e quero muito trabalhar com isso. O curso está sendo excelente, com muita conectividade, troca de experiência e energia boa. Acredito muito na comunicação não violenta e acho que tudo que estou aprendendo servirá para a minha vida”, falou.

Trampo Social

Com a proposta de preparar futuros Educadores Sociais, o projeto conta com 12 oficinas de desenvolvimento pessoal e preparo de Jovens Aprendizes para atuação em instituições de Assistência Social. Serão 96 horas presenciais com certificado.

Por meio de uma série de formações, o Trampo Social irá preparar os jovens para o mercado de trabalho com oficinas únicas, desenvolvidas para tirar os participantes do lugar comum e adquirir ferramentas que possam contribuir com o futuro.

A formação, além de oferecer conteúdo para o futuro profissional, desenvolverá habilidades para que os jovens sejam protagonistas de suas vidas e potencializem seu papel como agente de mudança.

O curso é focado nos quatro pilares da educação da Unesco: Aprender a Conhecer, Aprender a Fazer, Aprender a Conviver e Aprender a Ser.

Sobre o Programa Juventudes

O Programa Juventudes é uma iniciativa da Fundação FEAC que investe na criação de espaços de participação e aprendizado social, autogeridos por jovens, com o intuito de incentivar o protagonismo juvenil propositivo e engajado com o desenvolvimento social.

Saiba mais: https://www.feac.org.br/tramposocial/

 

 

 

2018-11-29T14:19:00+00:0029 de novembro de 2018|Categories: NOTÍCIAS|Tags: , |
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