Quando a educação se conecta com políticas públicas e juventudes

Todos Pela Educação trouxe propostas para políticas públicas educacionais e ações que incentivam jovens protagonistas

(Por Ingrid Vogl)

O movimento Todos Pela Educação e a Fundação Educar DPaschoal apresentaram propostas de ações para a elaboração de políticas públicas para a educação e juventudes, como parte da programação da 9ª Semana da Educação de Campinas. A presença do movimento nacional marcou a divulgação e discussão do documento Educação Já, uma proposta de estratégias e prioridades para a educação básica brasileira para os próximos anos. A iniciativa suprapartidária que reúne propostas técnicas acompanhadas de um diagnóstico completo e diretrizes definidas propõe soluções e medidas urgentes para os próximos governos implementarem na educação. 

O Educação Já foi elaborado por diversos especialistas, movimentos e instituições e foi apresentado aos candidatos às eleições presidenciais. O intuito é que os políticos considerem as propostas em seus planos de governo. Paralelamente a isso, a equipe do Todos Pela Educação também divulga e conscientiza a sociedade sobre a importância dessa iniciativa, já que acredita que todos devem cobrar a melhoria do ensino e apoiar instituições que defendem uma educação cada vez melhor.

O documento que está sendo amplamente divulgado possui sete prioridades: alfabetização de todos até 8 anos de idade; efetivação da Base Nacional Comum Curricular; financiamento e equidade; professor, carreira e formação; governança e gestão de redes; novo modelo de ensino médio e primeira infância. A proposta ainda traz informações sobre o cenário atual da educação no Brasil; visão de futuro e 12 macros diretrizes.

Segundo Pricilla Kesley Honorato, responsável pelo setor de mobilização e juventudes do Todos Pela Educação, a agenda técnica do Educação Já está sendo trabalhada desde 2017. “Aproveitando  esse momento de eleições e que haverá a troca de gestão, e que uma série de políticas públicas está  para entrar em vigor, como a Base Nacional Comum Curricular (BNCC), o Fundo Nacional de Educação Básica (Fundeb) que deve ser repensado, a gente acredita que esse é o  momento oportuno para se falar de mudanças de rotas, porque o que a gente tem hoje é um aprendizado defasado, graves problemas de estrutura , alunos que não concluem o  ensino médio: uma série de desafios que não estamos dando conta, sem falar que as projeções para futuro  não são animadoras”, explicou.

Juventudes

Camila Cheibub Figueiredo, gestora da Fundação Educar, contou como foi o processo de construção do documento “Juventudes Pela Educação”, iniciativa do Todos Pela Educação, Instituto Inspirare e Instituto Unibanco e que foi construída conjuntamente com 60 pessoas entre alunos, professores, jovens universitários, gestores e especialistas em educação. O objetivo do documento é inspirar e organizar orientações para a participação das juventudes nas escolas e nas políticas públicas da educação.

O documento possui propostas para uma escuta mais qualificada do que os jovens pensam e desejam para a educação e para o fortalecimento de organizações e movimentos de jovens engajados por uma educação cada vez melhor.

A publicação pretende energizar a participação das juventudes nas escolas e nas políticas públicas e ressalta a necessidade da criação de canais de diálogo institucionais nas escolas e nas gestões educacionais. Para complementar o material, há pesquisas, legislação e materiais que inspiram novas maneiras de pensar a participação.

Vivência

“Foi muito rico para a Fundação Educar participar desse processo, porque a gente teve a oportunidade de refletir sobre nossa prática de protagonismo juvenil e participar da sistematização de ações que abordam a participação do jovem na escola em várias esferas e canais. Nos ajudou a gente a fazer uma boa reflexão sobre o impacto disso dentro da escola”, explicou Camila.

Adler Felipe Correia Leite, aluno do 3º ano do ensino médio da Escola Estadual Residencial São José, participou da construção coletiva do documento e levou para a Semana da Educação sua experiência. Segundo ele, na escola não se costuma debater sobre educação, e nas poucas ocasiões em que há esse tipo de discussão, a resposta sobre as questões a serem abordadas já vem pronta.

 “Nessa vivência com o Todos Pela Educação tivemos que pensar em uma proposta, e isso me fez crescer muito no senso crítico para pensar propostas para gente mudar o que quisermos. Foi muito bacana conhecer vários jovens com vontade de transformar suas escolas e comunidades, porque assim a gente se sente valorizado e empoderado”, contou.

Na linha de compartilhar os impactos positivos de se investir no protagonismo juvenil, Camila também trouxe o resultado de uma pesquisa feita pela Fundação Educar que mostra a visão dos educadores sobre quais  mudanças são visíveis para os professores, jovens e escola.

“O intuito foi mostrar os benefícios do protagonismo juvenil na escola para aluno, professor e para a escola, o que pode inspirar quem está disposto a dar esse primeiro passo e abrir a voz e a participação do aluno dentro da escola”, explicou.

Dispostas a investirem  e instigarem o protagonismo juvenil, as Fundações Educar e FEAC desenvolvem em parceria o projeto Atitude Educação, que visa reconhecer, apoiar e divulgar núcleos de alunos e educadores de escolas públicas de Campinas (saiba mais: www.feac.org.br/atitudeeducacao ).

Segundo Thaís Speranza Righetto, técnica responsável pela Semana da Educação, pensando nas múltiplas conexões da educação com diversas áreas sociais – mote da 9ª edição do evento – política pública é uma delas. “É importante discutir o que precisa estar em pauta na política para que tenhamos uma educação de qualidade. Da mesma maneira, evidenciar o tema juventudes e divulgar um documento que foi feito a partir da escuta dos jovens também, é essencial para que a população tenha consciência das urgências nessas áreas para cobrar ações nesse sentido”, afirmou.

“O compartilhamento de informações e debates em torno dos assuntos apresentados durante a Semana da Educação são momentos proveitosos para os participantes das atividades”, como contou Neila Silva Figueiredo Gomes, psicóloga, pedagoga, agente de educação infantil da rede municipal de ensino de Campinas e membro do Conselho Municipal das Escolas.

“Para mim a Semana da Educação é um momento de troca, discussão, de saber o que está acontecendo na rede de ensino, sobre os documentos e estudos que são imprescindíveis para nosso trabalho na prática. Os eventos dão um boom de ideias que os participantes podem levar para as escolas.  A Semana vai mexer muito com meu trabalho no dia a dia escolar”, concluiu.

Semana da Educação

Com 26 atividades gratuitas entre palestras, oficinas, exposições, mesas redondas, apresentações culturais e outras, a 9ª Semana da Educação de Campinas aconteceu de 22 a 29 de setembro em vários pontos da cidade. O tema da edição 2018 do calendário de eventos foi “Conectar educação, superar desafios”, pensando nas múltiplas conexões que a educação faz com áreas como economia, saúde, segurança e cidadania, contribuindo para a transformação de uma sociedade mais inclusiva e igualitária.

A Semana da Educação é um projeto do Programa Educação da Fundação FEAC. A iniciativa pretende mobilizar a sociedade para o debate sobre os diversos temas da educação e energizá-la em prol de uma educação pública cada vez melhor.

A edição 2018 da Semana da Educação tem patrocínios da Fundação Educar DPaschoal e Iguatemi Campinas.

Saiba mais sobre o Todos Pela Educação: https://www.todospelaeducacao.org.br/

Saiba mais sobre a Fundação Educar DPaschoal: http://www.educardpaschoal.org.br/

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