Estudo do meio desperta a curiosidade e aumenta repertório da criançada

(Por Laura Gonçalves Sucena)

Pequeninas e curiosas, as crianças gostam mesmo é de conhecer lugares e viver novas experiências. Para aumentar o repertório, fortalecer a autonomia e a independência, muitas instituições de educação infantil estão apostando no estudo do meio, prática que vai além do conhecimento da sala de aula.

As instituições de educação infantil garantem: ao trabalhar um mesmo tema em diferentes perspectivas e contextos, orientado por abordagens na sala de aula e no exterior, a criança é instigada a aumentar seu repertório e a observação direta leva à construção de saberes a partir das experiências vivenciadas.

E para sair do dia a dia escolar, todas as experiências significativas são válidas. Os alunos visitam parques, museus e exposições, fazendas, praias, observatórios e tantos outros lugares que tenham algum significado para a turma. O importante é agendar a visita e preparar os pequenos para o dia da aventura, explicando os conceitos e objetivos.

Adriana Nunes Silva, técnica de referência do Programa Primeira Infância em Foco (PIF) da Fundação FEAC destaca que o estudo do meio é uma atividade interdisciplinar que integra várias áreas do conhecimento. Geralmente, programam-se as saídas para cada turma de acordo com os projetos desenvolvidos em sala de aula. “A criança sair para observar, interagir e vivenciar novas experiências acerca do que foi estudado na escola, instiga à ampliação de repertórios para construção de novos saberes, conceitos, habilidades e atitudes”, disse.

Segundo Adriana, trabalhar com projetos, principalmente com crianças pequenas, já é um desafio. “Por isso é importante que os educadores sejam sensíveis aos desejos e curiosidades das crianças frente ao conhecimento, para melhor selecionar os locais de visitas que contemplem os projetos desenvolvidos”, acrescentou.    

O mundo imaginário da televisão

Na Casa da Criança Madre Anastácia, o estudo do meio está diretamente relacionado aos projetos das turmas. Cada classe tem um tema a ser estudado e ao longo do ano cada turma tem uma atividade extra sala de aula. O objetivo é aprender na prática, vivenciar o tema estudado e ainda garantir um momento coletivo de aprendizagem.

Neste semestre, a turma AG3 (5 e 6 anos) escolheu o tema ‘Meios de Comunicação’. “As crianças começaram a ver jornais e souberam que as árvores estavam sendo retiradas para a construção de um corredor de ônibus. Isso despertou a curiosidade e eles decidiram que queriam saber mais sobre a comunicação, em todas as esferas, como televisão, internet, aplicativos de celular, rádio e jornal”, contou a Suzy Silva, coordenadora pedagógica da Casa da Criança Madre Anastácia.

Com a curiosidade crescendo, surgiu a oportunidade de visitar a TV Século 21. Lá os pequenos conheceram os estúdios, receberam uma aula do diretor Maurício Ambar, que mostrou como se faz para aparecer na televisão e como funciona o Chroma key (técnica de efeito visual que consiste em colocar uma imagem sobre uma outra), e se encantaram com o que viram.

Também passaram pela área de jornalismo, de mídia digital, publicidade e ainda participaram de um programa ao vivo, o Mulher.Com, com a apresentadora Tatiane Camargo.

A professora Karina Sasiente acredita que a visita ficará na lembrança dos alunos para o resto da vida. “Desde o início do projeto de comunicação eles estão bem animados. Criamos um jornal da sala, o Parque das Maravilhas, e poder visitar uma televisão foi incrível. São experiências vivenciadas que marcam os pequenos”, contou.

Melissa Monteiro, 6 anos, adorou conhecer a TV. “O mais legal é aparecer e falar na TV. Eu estou superanimada e quero muito ser comunicadora”, falou empolgada. “Gosto de conhecer lugares novos. E sei lá, deve ser legal trabalhar aqui. Acho que eu quero”, completou Adrian Henrique Gonçalves, 6.

Aula passeio

O estudo do meio é uma atividade que garante um momento coletivo de aprendizagem e de convivência entre professores, estudantes e equipe pedagógica. Desta forma, propicia o desenvolvimento de habilidades e incentiva também o brincar para as crianças.

Segunda a coordenadora pedagógica da Casa da Criança de Sousas, Gláucia Valente, a instituição de educação infantil que trabalha com a pedagogia Freinet (Célestin Freinet -educador Francês que desenvolveu a aula passeio ou estudo de campo).

“Entendemos que a criança aprende em casa, na escola e ainda nos ambientes externos. Essas saídas não são apenas movidas a diversão, a intenção é desenvolver nas crianças algumas habilidades importantes para a formação integral da criança, como seleção, observação, interpretação e habilidades sociais como autonomia, responsabilidade, autonomia, solidariedade, tolerância e respeito”, comentou Gláucia Valente, coordenadora pedagógica da Casa da Criança de Sousas, instituição de educação infantil que trabalha com a pedagogia Freinet (Célestin Freinet – educador Francês que desenvolveu a aula passeio ou estudo de campo).

A instituição realiza a aula passeio em diferentes locais e contexto culturais e uma das saídas mais comuns é na área verde localizada ao lado da escola. “Lá os pequenos podem brincar e aprender. Eles também aproveitam a natureza brincando com os animais da chácara vizinha, colhem flores no jardim e visitam a igrejinha de pedra. As crianças entram em contato com algumas dimensões da realidade que não estão nos livros ou nos vídeos, instrumentos muito comuns para essa faixa etária. E nesses locais, elas acabam buscando significados para o que foi trabalhado em sala, o que torna a vivência concreta é muito mais estimulante”, explica.

O Centro de Formação Semente da Vida também proporciona as experiências fora da sala de aula. “O estudo do meio representa uma oportunidade para as crianças conviverem com situações e espaços desvinculados da esfera escolar. A riqueza destes momentos está na possibilidade de desenvolver competências das mais variadas por colocar a criança como sujeito ativo, que busca conhecimentos, confirma hipóteses, regula atitudes em situações reais. Dessa forma, sempre procuramos estabelecer uma ligação do que foi vivenciado na escola com a proposta do estudo do meio”, garantiu Anadege Santos, orientadora pedagógica da instituição.

Este ano a Creche Gustavo Marcondes também investiu no estudo do meio. No final de agosto, as crianças foram levadas ao “mundo mágico” do folclore brasileiro e para isso visitaram a Sitiolândia, em Caieiras/SP. “O nosso maior intuito foi proporcionar vivências fora do ambiente escolar, bem como o contato direto com a cultura popular brasileira e as riquezas naturais, atrelada a projeto pautado nas regiões do Brasil. Portanto, ao participarem desta atividade, promovemos às nossas crianças um momento de muito aprendizado, de maneira lúdica e prazerosa”, acrescentou a coordenadora pedagógica, Daniela Capobianco.

Estudo do meio, aula-passeio, observação de campo, fora da escola. Não importa o nome, o importante é acontecer. “Trabalhar com as saídas do ambiente escolar requer, por parte dos educadores, uma postura pesquisadora para que eles possam favorecer e intermediar a participação ativa das crianças durante o contato direto com a realidade”, finalizou Adriana.        

A Casa da Criança Madre Anastácia, a Creche Gustavo Marcondes, a Casa da Criança de Sousas e o Centro de Formação Semente da Vida são entidades parceiras da Fundação FEAC que integram o projeto de apoio institucional do Programa Primeira Infância em Foco (PIF).

Primeira Infância em Foco

O Programa Primeira Infância em Foco é uma iniciativa da Fundação FEAC que investe em esforços para promover o desenvolvimento da primeira infância com objetivo de assegurar que todas as crianças tenham desenvolvimento adequado à sua faixa etária.

Saiba mais: https://www.feac.org.br/primeirainfanciaemfoco/

2018-11-12T15:28:42+00:006 de novembro de 2018|Categories: NOTÍCIAS|Tags: |
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