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Academia Educar traz experiências de transformação e protagonismo para o Conecta Educação

(Por Ingrid Vogl)

O poder da transformação por meio das relações interpessoais. Sobre este e outros assuntos, o Conecta Educação trouxe o tema “Protagonismo juvenil: da inspiração à prática” para ser discutido entre as pessoas presentes na noite de quarta-feira, dia 28 de março, no auditório da Fundação FEAC.

Para compartilhar suas experiências dentro do projeto Academia Educar, da Fundação Educar DPaschoal, e mostrar que construções interpessoais somente são possíveis com diálogo, Cristiane Stefanelli, coordenadora do projeto, além de Rafaela Lopes e Erik da Silva, jovens monitores do projeto, comandaram o encontro, que contou na plateia com jovens e educadores atentos às falas inspiradoras.

A Academia Educar atua em 20 escolas públicas de Campinas com o objetivo de formar líderes de 13 a 16 anos. A iniciativa também pretende criar oportunidades para que os jovens descubram o seu potencial, tornando-os capazes de transformar a sua realidade, de suas escolas e comunidades.

Segundo Cristiane, a Fundação Educar começou a estudar o protagonismo a partir de 1996, junto com o pedagogo Antônio Carlos Gomes da Costa, um dos principais colaboradores e defensores do Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA) e autor de diversos livros e artigos sobre a promoção e defesa dos direitos infanto-juvenis. Nesse sentido, a Academia Educar tem como base o conceito que acredita nas habilidades desenvolvidas dos jovens não só como protagonistas de suas próprias histórias, mas que são capazes de ir além, participando e resolvendo os problemas da vida real.

“Entendemos os jovens como fonte de iniciativa, de liberdade. Alguém que toma decisões e contribui e é parte das soluções. A gente acredita muito em fazer junto com eles, em um processo de colaboração com comprometimento”, explicou a coordenadora do projeto.

Neste sentido, a Academia Educar desenvolve um trabalho voltado para as relações em que se acredita na capacidade de todo jovem sem rotulá-los, garantindo sempre oportunidades para que ele desenvolva o protagonismo e a cidadania. “Por isso, a escuta atenta e empática e o respeito pelas opiniões são primordiais para o diálogo entre jovens e adultos “, concluiu.

Outro ponto alto do encontro foi quando os jovens compartilharam suas experiências sobre as ações da Academia Educar dentro das escolas e os possíveis espaços democráticos que existem dentro da comunidade escolar, como Comissões Permanecentes de Avaliação (CPAs), Grêmios Estudantis e Conselhos de Classe. São espaços que podem ser usados para o desenvolvimento do protagonismo como ferramenta educativa. “A gente só consegue impactar a escola se tem o adulto dentro dessa comunidade que trabalha junto, mobilizando e engajando outros atores da escola trabalhando com vários projetos e exercendo uma gestão democrática para que tudo aconteça. Só assim a escola se transforma”, explicou Cristiane.

Cláudia Chebabi, líder do Programa Educação da Fundação FEAC, chamou atenção para o método de trabalho desenvolvido pela Academia Educar que envolve comprometimento e responsabilidade. “Em meio a tantos desafios que as instituições encontram para comprometer o jovem em seu percurso educacional, a Fundação Educar DPaschoal compartilhou uma metodologia de engajamento do jovem, onde o protagonismo é desenvolvido de forma processual, comprometida e respeitosa. Interessante conferir, como o professor assume um papel fundamental neste processo, de inspirar, orientar e dialogar garantindo que o aluno tenha voz, espaço e desafios a superar”, analisou.

Vivências

Durante o Conecta Educação, Rafaela e Erik foram questionados sobre suas vivências na Academia Educar e tiveram a oportunidade de falar sobres suas transformações. “Eu era um jovem pilhado, que não sabia como transformar essa energia em potência. Quando passei a participar das ações, dinâmicas e viver o projeto, eu comecei a transformar minha energia em fonte de iniciativa”, contou.

Foi assim que o jovem de 17 anos apaixonado pela música criou seu projeto próprio para ensinar teoria e práticas musicais para colegas da Escola Estadual Dom Barreto e de sua comunidade.  “Gosto de tocar violão no intervalo da escola, e muitos colegas começaram a demonstrar interesse em aprender. Procuro desenvolver um método de ensino de jovem para jovem, para que eles possam aprender com mais facilidade. A música tem muito a ver com a Academia Educar, porque é preciso comprometimento e determinação para que haja o aprendizado. E assim, da minha maneira, transmito o conhecimento e minha vivência para outras pessoas”, afirmou o jovem que toca violão, guitarra e cavaquinho e que pretende chamar outros amigos músicos para ampliar seu projeto musical.

Quando perguntada sobre sua transformação, Rafaela contou que o diálogo definitivamente não era seu ponto forte, “Eu sempre achava que a minha opinião era  mais importante que a do coletivo. Tinha muita dificuldade de aceitar a opinião dos outros. A Academia foi importante nesse sentido, porque além de aprender a ser, eu aprendi a conviver e isso mudou totalmente meu ponto de vista sobre o meu diálogo. Foi uma revolução interna, porque muitas coisas que eu pensava estavam erradas, e tive que aprender a aceitar isso”, relatou.

A partir daí, Rafaela contou que sua visão de vida mudou e as relações interpessoais também. “O convívio com minha família, na minha escola e com meus amigos mudou. E o mais interessante é que isso se transformou em um ciclo, porque quem convive comigo, também se transformou e as relações se tornaram mais respeitosas”, disse a jovem de 16 anos que estuda na Escola Estadual José Maria Matosinho.

A experiência dos jovens da Academia Educar foi uma verdadeira inspiração para quem esteve presente no Conecta Educação. Para Fabiano Augusto Belini, membro do Grupo de Estudos e Pesquisas em Educação Moral (Gepem) e especialista em comunicação não violenta em escolas, o tema é extremamente relevante, já que acredita que a parceria entre adultos e jovem é essencial para que juntos assumam os desafios e busquem soluções.

“Acho que a solução que está nesse trabalho da Academia Educar foi muito bem apresentado, já que eles encaram os jovens como parte da solução, e não como parte dos problemas. Quando isso acontece, os desafios se dissolvem. Acredito em ampliar o diálogo na escola de forma verdadeira, sem ser de forma hierárquica ou até mesmo manipuladora. É preciso ouvir críticas não como ataques, mas como propostas e algo valioso. Esse é o grande desafio entre professores e adolescentes. É isso que foi compartilhado hoje aqui e é nisso que também acredito”, disse.

“A Academia Educar evidenciou o quanto toda a sociedade e as instituições escolares ou não, que atuam com o jovem, precisam reconhecê-lo como capaz de agir, capaz de se envolver, capaz de tomar decisões e também, capaz de assumir a responsabilidade pelo que faz ou deixa de fazer. Esse empoderamento do jovem permite a formação de cidadãos autônomos, solidários e competentes, e nesse sentido, não é apenas o jovem que cresce ao se desenvolver como protagonista de sua história e de sua comunidade, mas também toda uma sociedade”, concluiu Cláudia.

Conecta Educação

O Conecta Educação tem como objetivo discutir assuntos relevantes do atual cenário educacional com temas que devem nortear os eventos da 9ª Semana da Educação de Campinas, que está planejada para acontecer de 20 a 26 de setembro de 2018. A iniciativa tem apoios da Fundação Educar DPaschoal e Iguatemi Campinas.

Este ano, a intenção é trazer para a reflexão, muito além de falas, práticas inovadoras e que têm impacto positivo na área educacional. A iniciativa faz parte do projeto Semana da Educação e compõe o Programa Educação, que é uma iniciativa da Fundação FEAC que investe em projetos que contribuem para uma educação pública cada vez melhor, como pilar fundamental para o desenvolvimento da sociedade. O próximo Conecta Educação está previsto para o dia 26 de abril.

Saiba mais: http://www.educardpaschoal.org.br/projeto.php?id=3

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