Trampo Social forma sua primeira turma de jovens inspirados e capacitados para o mercado de trabalho

(Por Ingrid Vogl)

Transformação pessoal com potencial multiplicador. Essa foi a autoavaliação e o sentimento comum entre os jovens da primeira turma do projeto Trampo Social que na tarde do dia 9 de fevereiro se reuniram para celebrar a conclusão da jornada iniciada em novembro de 2018. No percurso, 12 encontros com duração de 96 horas. A iniciativa da Fundação FEAC, que tem parceria técnica do coletivo Sem Rótulo, faz parte do programa Juventudes e tem como objetivo preparar jovens de 16 a 24 anos para atuação profissional, com potencial para geração de impacto em suas comunidades, em especial, como educadores sociais.

Animados, empoderados e proativos, os jovens foram os responsáveis por definir, planejar e promover a celebração que marcou o fim da formação e o recebimento dos certificados de conclusão do curso. Ao longo da cerimônia em que estiveram presentes familiares e pessoas que acompanharam a formação dos jovens, várias palavras como empatia, resiliência e conexão foram escolhidas para contar um pouco aos convidados como foi a trajetória de aprendizado e transformação da turma de 26 jovens.

Em cima do palco, Vitória Beatriz Santos, 16 anos, e Dimas Barbosa, 21, fizeram as vezes de mestres de cerimônias do evento. Desenvoltos e seguros de si, eles não se pareciam em nada com os jovens que iniciaram o curso em novembro. “Saio daqui encorajada, e essa força tem tudo a ver com o que vivenciei durante o curso, A Vitória que entrou no Trampo não subiria no palco nunca, e a Vitória que sai encara o desafio que ela quiser”, disse a jovem se referindo a si mesma em terceira pessoa.

Para Dimas, o percurso foi de descobertas de habilidades e competências. “Cheguei com tanta coisa pra desenvolver e não sabia como. O curso transmite o poder que se tem de ajudar as pessoas com seus talentos e potenciais. Essa vivência me transformou, porque eu era um garoto envergonhado e saio sabendo usar minhas habilidades, mais proativo e aprendendo a conhecer pessoas”, falou Dimas.

Trampo transformador

Segundo Marina Carvalho, cofundadora do coletivo Sem Rótulo e uma das responsáveis pelas formações, o projeto foi dividido em quatro módulos. Os dois primeiros foram focados no desenvolvimento de competências pessoais e de relacionamento. Os dois últimos mais dedicados a oferecer ferramentas para que os jovens desenvolvam o papel de educadores sociais e de liderança em qualquer função que venham exercer.  “O intuito foi oferecer ferramentas para que os jovens tenham como solucionar problemas, engajar pessoas e pensar de forma criativa”, explicou Marina.

A facilitadora também avaliou o resultado do trabalho da turma, que segundo ela foi positivo graças ao fortalecimento de vínculos e a criação de um espaço de confiança entre eles. “Por ser um projeto piloto tivemos uma experiência muito boa, com muita aprendizagem e um grupo comprometido. Esse vínculo permitiu que os jovens colocassem fraquezas, medos e compartilhassem seus talentos. Encontramos um grupo de pessoas que estava muitas vezes desmotivado, perdido e inseguro e que sai daqui empoderado, entusiasmado e se sentindo capaz, e isso não tem preço. Essa galera é inspiradora, resiliente, e mesmo com histórias de vida desafiadoras, conseguem encontrar força para fazer coisas incríveis”, concluiu.

Sempre em frente

Nas falas dos jovens, era muito nítido o tom de confiança e foco nos projetos pessoais. Legados que eles levam da vivência no Trampo Social. “Saio totalmente transformado. Cada encontro foi uma trajetória, um caminho diferente, além de experiência, vivência e conhecimento. A gente sai de lá com um pedacinho de cada pessoa, e a conexão que criamos vou levar como bagagem profissional e pessoal. Minha meta agora é trabalhar na área de educador social e expandir mais ainda meu conhecimento na área social, porque quero replicar tudo que aprendi”, contou Wagner da Silva Ferreira, 20 anos.

“Essa trajetória no Trampo Social foi incrível. Saio daqui outra pessoa, porque formei conceitos e mudei a forma de ver a vida, o olhar para outro sem julgar nem rotular as pessoas. Aprendi a importância de ser resiliente. Cheguei aqui me sentindo inútil, desmotivada e agora sinto que tenho potencial para fazer a diferença na minha vida e na de outras pessoas. A partir disso, tudo mudou: as relações pessoais e familiares. Meu sonho é ser educadora social e para isso, retomei os estudos e agora quero encontrar um emprego para conseguir alcançar meus objetivos. Tenho o desejo de ajudar da mesma forma que fui ajudada neste curso”, disse Daiane Aparecida Feliciano Ramos, 19 anos.

Natália Ribeiro Lopes, 24 anos, procurou o curso porque sempre teve vontade de trabalhar como educadora social e saiu de lá com mais certeza de que quer seguir seu sonho. “O Trampo foi muito mais impactante que imaginei. Houve uma mudança interna, aprendi a ouvir melhor as pessoas, conviver com diversidade de ideias. Se eu já tinha a ideia de trabalhar na área social, agora tenho certeza”, concluiu. 

Para a mãe de Natália, Dina Ribeiro Lopes de Abreu, o curso fez com que a filha enxergasse as pessoas com as quais se relaciona de vários ângulos, o que considera positivo. “Percebi que ela mudou o convívio na família e as trocas. Hoje ela se importa mais, quer estar junto, dá abertura para o diálogo e para a convivência. É gratificante ver essa movimentação de todo mundo em prol de algo melhor, que dá certo e funciona”, avaliou Dina.

Desafio

Apesar do intuito inicial do Trampo Social ter sido formar jovens inspirados e engajados para  serem educadores sociais em Organizações da Sociedade Civil (OSC) – já que existe demanda das instituições para esses profissionais – o curso não só revalidou a vontade de trabalhar na área social para alguns, mas também fez com que os jovens entendessem que existem outros caminhos, já que todos saem com ferramentas de liderança e trabalho em equipe que são valiosas em diversas funções.

Tatiane Zamai, responsável técnica pelo projeto Trampo Social e líder do Programa Juventudes, lembrou que a primeira edição da iniciativa contou com mais de 400 inscritos e que o processo de seleção foi trabalhoso. Mas o grupo selecionado parecia estar fadado a conviver. “Logo nos primeiros encontros já houve entrosamento, e tudo que os jovens podem aplicar enquanto educadores sociais eles vivenciaram durante o curso por meio de muita dinâmica em meio à teoria. O bacana é que esse conhecimento adquirido terá a oportunidade de ser compartilhado por eles com outras pessoas: seja na OSC, na família ou na comunidade. Os jovens foram transformados para que eles possam ser transformadores”, avaliou. Segundo Tatiane, o próximo desafio da turma é a entrada no mercado de trabalho. Para isso, a equipe do projeto está elaborando um banco de currículos dos jovens, que ficará disponível na página do projeto Trampo Social: https://www.feac.org.br/tramposocial/

Trampo Social

Com a proposta de preparar futuros Educadores Sociais, o projeto contou com uma série de formações, com o compromisso de preparar os jovens para o mercado de trabalho por meio de oficinas desenvolvidas para tirar os participantes do lugar comum e possibilitar que adquiram ferramentas que possam contribuir com o futuro sonhado por cada um.

A formação, além de oferecer conteúdo profissional, desenvolve habilidades para que os jovens sejam protagonistas de suas vidas e potencializem seu papel como agente de mudança.

O curso é focado nos quatro pilares da educação da Unesco: Aprender a Conhecer, Aprender a Fazer, Aprender a Conviver e Aprender a Ser.

Sobre o Programa Juventudes

Programa Juventudes é uma iniciativa da Fundação FEAC que investe na criação de espaços de participação e aprendizado social, autogeridos por jovens, com o intuito de incentivar o protagonismo juvenil propositivo e engajado com o desenvolvimento social.

Saiba mais: https://www.feac.org.br/tramposocial/