
O grande gesto de benemerência do casal Odila Egídio de Souza Santos Camargo e Lafayette Álvaro de Souza Camargo em doar as terras da Fazenda Brandina para o trabalho social da Fundação FEAC foi um dos atos mais expressivos da história da vocação solidária em Campinas.
Odila e Lafayette Álvaro, que não tiveram filhos, eram descendentes de famílias de cafeicultores. O amigo Paulo de Almeida Nogueira, proprietário da Usina Ester, de Cosmópolis, onde Lafayette trabalhou como gerente (de janeiro de 1926 a dezembro de 1936) e Odila lecionou na escola rural, teve fundamental influência para o viés solidário do casal. Lafayette acompanhou a concretização do sonho de Nogueira em inaugurar duas escolas rurais, uma biblioteca infantil e o Copo de Leite, projeto de doação de leite para crianças de baixa renda.
Em 1941, Lafayette foi nomeado prefeito de Campinas. Diante do crescimento da cidade, preocupou-se com a proliferação de cortiços em razão da ausência de casas para famílias pobres. Junto com o amigo Estanislau Ferreira de Camargo, um rico fazendeiro da região de Lins, planejou no Cambuí a construção da Vila de operários Estanislau. Os moradores compraram as casas depois do empenho de Lafayette em obter empréstimo junto a um banco local.
O contato com pessoas como Almeida Nogueira e membros do Partido Democrata Cristão (PDC) reforçou a solidariedade do casal. Ao longo da década de 1950, os dois cogitaram criar uma Fundação para continuar o seu trabalho social. O que acabou acontecendo em 16 de outubro de 1958, em reunião na sede do PDC. Com a Fundação Odila e Lafayette Álvaro (FOLA), estava fincado um dos alicerces da futura FEAC.
Nos anos 60, era cada vez mais urgente uma iniciativa destinada a reunir e coordenar os diversos trabalhos sociais que já eram realizados em Campinas por igrejas, grupos comunitários, instituições beneficentes, mas que às vezes representavam duplicação e desperdício de esforços.
Em 1962 iniciou-se em Campinas o movimento para criação da Federação de Assistência Social, que centralizaria a arrecadação de fundos e daria orientação técnica, contábil e jurídica às entidades assistenciais com o objetivo de diminuir a desigualdade social em Campinas.
Em 1964, Lafayette Álvaro apoiou a iniciativa de articulação da Federação e ofereceu seu patrimônio – a Fazenda Vila Brandina – e a Fundação Odila e Lafayette Álvaro para os trabalhos de promoção social. A personalidade jurídica da Federação, entendida conforme denota o termo, não chegou a existir. A denominação foi adotada, mas a FEAC tornou-se uma fundação privada com fins não lucrativos. Assim, no dia 14 de abril de 1964, Federação e FOLA se uniram oficialmente. E o estatuto da Fundação FEAC regia a proteção às crianças de famílias de baixa renda.
Começava a ser escrito um capítulo da história que mudaria para sempre a ação social em Campinas, servindo de inspiração para várias cidades brasileiras.
No mesmo ano da doação da Fazenda para a Fundação FEAC, em 1964, dona Odila faleceu. O falecimento de Lafayette ocorreu três anos depois, a 13 de setembro de 1967.
Fonte: FEAC – Biografia de um pacto social – 40 anos de integração, apoio e solidariedade, de José Pedro Martins, Editora Átomo.
