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Oficina abre horizonte de jovens no Centro Comunitário Santa Lúcia

Oficina abre horizonte de jovens no Centro Comunitário Santa Lúcia

(Por Claudia Corbett)

Quanto mais alto o voo, mais visibilidade e mais conhecimento. Com expectativa e entusiasmo nas alturas, os jovens que frequentam a oficina de drone do Centro Comunitário Jardim Santa Lúcia, entidade parceira da Fundação FEAC, estão há cinco meses absorvendo um aprendizado diferenciado.

Eles têm agora a oportunidade de participar da oficina inédita ministrada, às sextas-feiras, por um instrutor voluntário que transmite aos meninos ensinamentos da nova tecnologia que permite fotografar e filmar por intermédio do equipamento denominado drone. Esta aeronave, pilotada de maneira remota, permite a captura das imagens a cerca de dois quilômetros de distância e aproximadamente 600 metros de altura.

Sergio Sapia é representante de uma marca de drones e entrou em contato com a Fundação FEAC para oferecer uma oficina a partir do equipamento. Orientado pelo Departamento de Assistência Social (DAS), chegou ao Santa Lúcia. “Acredito que trouxe para estes meninos, além de um novo conhecimento, uma nova profissão”, destacou.

Aprendizado e empenho

A oficina consiste em ensinar os jovens a pilotar o equipamento e captar imagens estáticas e em movimento. Para chegar a isso, muita teoria foi apresentada aos participantes que, obrigatoriamente, têm a partir de 18 anos. “Conversamos sobre as normas e regras da Agência Nacional de Aviação Civil (Anac) e sobre a segurança. É importante que eles tenham o conhecimento sobre acidentes que podem causar, se não forem prudentes”, frisou Sapia. Por isso, respeito ao outro, espírito de equipe e responsabilidade são pontos também trabalhados nos encontros.

O desafio apresentado para a primeira turma, como produto de conclusão da oficina, foi a criação e montagem de um vídeo institucional para a entidade. Para cumprimento da etapa final da oficina surgiu então a necessidade dos jovens terem ainda noções de roteiro, fotografia e edição de vídeo. Demandas estas que também foram acolhidas por voluntários.

Em cada jovem se nota o despertar de um interesse. Luiz Felipe de Aquino dos Santos, 20 anos, se interessou pelo programa de edição. “Descobri agora como são feitas as edições dos jornais de TV”, relatou. Empolgado, será o responsável por essa etapa de elaboração do filme institucional.

Gustavo Cordeiro dos Santos, 19 anos, não conhecia o drone, mas logo de cara se interessou. A aprendizagem começou com um simulador. Somente depois dos conhecimentos conceituais e teóricos adquiridos que a pilotagem foi iniciada.  “Enxergar o bairro de cima foi surpreendente. Descobri muitos locais que nem sabia que existiam. Lá de cima tudo é mais bonito”, comentou.

Para o assessor social do Departamento de Assistência Social da Fundação FEAC, Alann Scheffer Oliveira, a proposta desta oficina com drone leva estes jovens a refletirem sobre o bairro onde moram. Eles passam a enxergar de uma outra maneira os locais pelos quais circulam e, também, como destacou o Gustavo, encontram novos locais no bairro. Um estímulo ao sentimento de pertencimento junto ao lugar onde vivem. “Ações como esta ampliam o repertório para o enfrentamento de situações de vulnerabilidades ou de riscos vividos por estes jovens, e ainda proporcionam a superação dos mesmos”, complementou o assessor.

Faça sol ou faça chuva

O interesse dos jovens pela oficina de drone é tão grande que nem a chuva é motivo para faltar. Segundo o instrutor, eles chegam para as oficinas com novidades pesquisadas e perguntas pertinentes. Diante deste grande interesse, a entidade ganhou um equipamento de drone. Os dez integrantes desta primeira edição da oficina serão multiplicadores de conhecimento e monitores das outras turmas que virão. “Agora que eles já dominam, darei as consultorias necessárias e estarei sempre à disposição deles, quando houver necessidade”, relatou Sapia.

“Tivemos dificuldade para ofertar oficinas de interesse dos jovens e esta deu um salto qualitativo. Se eles se apropriarem deste conhecimento, ele pode vir a ser o pontapé inicial de novas oportunidades de trabalho”, relatou Ricardo Moraes, coordenador geral do Centro Comunitário Santa Lúcia.

Saiba mais: www.ccjsantalucia.org.br