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Jovens protagonistas realizam Sarau com atividades culturais e oficinas sobre gênero, preconceito e direitos da juventude

Jovens protagonistas realizam Sarau com atividades culturais e oficinas sobre gênero, preconceito e direitos da juventude

(Por Claudia Corbett)

O teatro de arena do Sesc Campinas foi palco de um Sarau, penúltimo evento que compôs a Semana da Juventude de Campinas de 2017, realizada neste mês de agosto. Idealizada pela Rede Articula Juventudes (Reaju), esta segunda edição, que mais uma vez contou com o apoio da Fundação FEAC, teve os temas e formatos de todos os eventos escolhidos e organizados pelos próprios jovens.

Segundo uma das coordenadoras da Reaju, a psicóloga Cinthia Cristina da Rosa Vilas Boas, a proposta este ano foi fazer um calendário colaborativo e descentralizado. A adesão dos jovens para esta novidade foi imediata e houve um envolvimento significativo de várias instituições que os reúne, com muitas sugestões inscritas.  “Desta vez, ficamos somente atuando no suporte com aproximação junto aos parceiros e busca de locais para a realização dos eventos, além de aquisição de materiais, entre outros”, explicou a coordenadora.

A Semana da Juventude é uma oportunidade dos jovens se aproximarem para buscar mais informações sobre os seus direitos. “Queremos saber mais sobre o que é uma política voltada para a juventude, como ela funciona e como podemos dela participar”, admitiu Richard Geovani Brito de Jesus, jovem atendido pelo Centro Promocional Tia Ileide (CPTI)

Sarau da Juventude

A ideia de se fazer um sarau veio dos próprios jovens atendidos por instituições como CPTI, Centro Espirita Alann Kardec (CEAK), Sociedade Educativa de Trabalho e Assistência (SETA) e Patrulheiros Campinas – Centro de Aprendizagem e Mobilização pela Cidadania (CAMPC), que contaram também com o apoio do Centro de Referência de Assistência Social (CRAS). Eles abraçaram a organização que priorizou ações culturais e ‘estandes’ nos quais se destacaram assuntos que foram amplamente debatidos durante a Semana.

Em uma das bancadas expositoras, por exemplo, havia a oferta de livros e materiais gráficos sobre gênero; etnias raciais; feminismo; racismo e preconceito que estavam à disposição para quem quisesse se apropriar. “Este formato é interessante porque as pessoas têm a liberdade de escolher o assunto que quer aprofundar e quando voltam para devolver o material sempre trazem suas opiniões. A troca enriquece o conhecimento de todos nós”, completou Richard. A ideia de disponibilizar estes materiais foi justamente para despertar debates como o que é ser negro e a diferença entre racismo e preconceito.

Um outro estande provocava o diálogo sobre gênero. “Com o tema ‘Como eu queria ser se eu fosse um jovem diferente do que sou’, a proposta era encarar o preconceito em relação ao chamado padrão convencional”, explicou Laura Gabriele da Silva Roberto, 15 anos. Com papel e lápis de cor, os jovens podiam desenhar bonecos em seu tamanho real, com detalhes no corpo ou nas vestes de acordo com a sua vontade e ainda, por meio de post it, escrever palavras de referência como ‘transgênero’, ‘transexual’, ‘sou uma menina diferente’, etc.

Colado na parede, um painel chamava a atenção para dados sobre o machismo. Com ilustrações que descreviam atividades domesticas comuns, porcentagens destacavam que ainda é superior o número de meninas, em relação aos meninos, que arrumam a cama, lavam a louça, limpam a casa, lavam e passam a roupa e cuidam dos irmãos menores. Kevin Moreira, 15 anos, do CEAK, comenta que estes resultados foram colhidos durante um dos encontros durante a Semana no qual os jovens discutiram a desigualdade.

A música também fez parte da tarde de Sarau. O coral do Patrulheiros de Campinas apresentou ‘O Sol’ do grupo Jota Quest.  “A escolha não foi por acaso. Esta música é contemporânea, fala de dor, medo, perda e descoberta, muito a ver com tudo que o jovem gosta. Queremos que eles cantem, que a canção se espalhe pela arquibancada, para que todos que estão aqui participem efetivamente deste evento”, frisou Gabriele Cristina da Silva, uma das coralistas.  Na sequência, o Rap e o Hip Hop chamaram a galera para participar com palmas. Os jovens que mostraram suas habilidades receberam como recompensa a customização de uma camiseta para guardar como lembrança do evento.

II Semana da Juventude

A edição de 2017 da Semana da Juventude superou a anterior em número de entidades participantes e eventos. Jovens de 13 entidades marcaram presença nas 17 atividades distribuídas de 07 a 13 de agosto que tiveram como objetivo promover conexões, debates e reflexões sobre as políticas públicas da juventude. A iniciativa visa ainda celebrar o Dia da Juventude que no dia 12 de agosto é comemorado internacionalmente.

Segundo o gerente do Departamento de Assistência Social da Fundação FEAC, Lincoln Moreira, a segunda edição foi muito positiva. “O movimento realizado pela Reaju está cada vez mais autônomo e organizado. Gostei de ver o intenso envolvimento dos jovens. Eles se mostraram cada vez mais pertencentes e engajados com esta discussão. Esta é a proposta”, comemorou.

Os temas escolhidos pelos jovens para discussões e rodas de debates transitaram de redução penal, serviços de saúde, diversidade sexual, reforma do ensino médio, até acesso à universidade pública. A programação incluiu ainda oficinas de percussão, grafite, filtro dos sonhos; Sarau; Cineclube. A última atividade da II Semana da Juventude de Campinas foi o show do artista Rico Dalasam, cujo sobrenome é a sigla da frase Disponho Armas Libertárias a Sonhos Antes Mutilados. O cantor, compositor e rapper brasileiro é um dos representantes da comunidade LGBTI.

A Semana da Juventude foi instituída no calendário oficial do município de Campinas pela Lei Complementar nº 115/2015 e será, anualmente, realizada na semana do dia 12 de agosto, data dedicada mundialmente ao público jovem.

Saiba mais: juventudecampinas.wordpress.com