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Hip Hop garante convivência intergeracional e qualidade de vida

Hip Hop garante convivência intergeracional e qualidade de vida

 

(Por Laura Gonçalves)

Avós e netas, mães e filhas, e muita amizade envolvida. Assim são as aulas de Hip Hop que agitam as manhãs do Movimento Assistencial Espírita (MAE) Maria Rosa, instituição parceira da Fundação FEAC, localizada na região Norte de Campinas/SP. Lá, a atividade em grupo com crianças, adolescentes e idosos, tem o intuito de fomentar a comunicação intergeracional por meio da dança.

No espaço de convivência, os alunos buscam o desenvolvimento de suas potencialidades. O objetivo é integrar as pessoas, proporcionar um local de convívio e relacionamento e promover a qualidade de vida.

De acordo com a presidente da instituição, Celina Dias, a entidade está localizada numa região de alto índice de vulnerabilidade social. “Temos também um número grande de idosos, tanto que por meio dos nossos projetos voltados a essa faixa etária, conseguimos uma certificação do Conselho Municipal do Idoso. Então, estamos nos dedicando a esse público e, mais que isso, criando atividades intergeracionais para o convívio de todos”, destacou.

As aulas de Hip Hop favorecem trocas interpessoais e contribuem para o bem-estar de todos. “Há uma interação plena entre os participantes, valorizando as trocas e experiências.  As gerações se mesclaram e existe uma comunicação entre todos. Percebemos que existe prazer, curiosidade e o respeito das potencialidades de cada um”, afirmou a assistente social, Kelly Cristina Parro Silva.

No Maria Rosa, a questão afetiva também é presente nas atividades realizadas entre os grupos etários. “A vontade de aprender, realizar trocas de conhecimento e afeto está em evidência. Por isso consideramos que a experiência do trabalho em grupo, com proposta intergeracional, comprova que nosso objetivo foi alcançado”, admitiu Kelly.

Hip Hop

As atividades intergeracionais começaram timidamente, com a prática oriental Lian Gong. Com a grande procura, o Maria Rosa decidiu expandir as oficinas e atualmente possui mais de 15 cursos. E desde 2015 o Hip Hop é sucesso absoluto, com cerca de 50 alunos.

“Já oferecíamos a dança para as crianças e resolvemos testar com o serviço de convivência intergeracional. Hoje, o Hip Hop é a oficina mais procurada. São vários os benefícios que a dança proporciona. Além da diversão, trabalha a coordenação motora, o equilíbrio e a autoestima. E percebemos que os alunos se sentem felizes com a atividade”, constatou Kelly.

A dona Catarina Paulino Luiz, de 61 anos, não perde um dia. “A minha vida mudou depois que comecei a frequentar as aulas. Era tímida, vivia deprimida e desanimada. Hoje tenho mais disposição, adoro dançar, gosto da música e fiz muita amizade aqui. Além disso, trouxe minha neta Geovana para dançar comigo”, comemorou. A menina, de 9 anos, também gosta da atividade. “Já estou me acostumando e gosto de acompanhar minha avó. O pessoal aqui é bem animado”, completou a pequena.

Com 69 anos, ‘seo’ Aristides Silva também nem pensa em ficar em casa. “Isso aqui é muito bom, adoro dançar e participar do Hip Hop. Só tenho ganhos porque minha saúde melhorou, sou amigo de todos e tenho disposição”, admitiu.

Segundo a assessora técnica do Departamento de Assistência Social da Fundação FEAC, Carla Nascimento, a atividade só gera benefícios ao grupo. “O Hip Hop visto apenas como dança, nos remete a pensar em limitações devido aos movimentos ousados. Porém, quando a atividade é utilizada como um meio para que o objetivo maior do serviço – que é o fortalecimento dos vínculos e das convivências – seja atingido, nos deparamos com esse resultado brilhante. Ele vai além de qualificar as relações interpessoais familiares e/ou comunitárias, e colabora com a melhoria da saúde física e mental. São momentos de lazer, de conviver e de superar situações de vulnerabilidades”, ressaltou a assessora. 

Apresentações

Entusiasta do Hip Hop, o coreógrafo e professor de dança Clécio de Souza Carvalho não deixa o pessoal parar nem um minuto. “Quando me propuseram trabalhar com uma turma intergeracional, encarei o desafio com muita vontade.  O grupo conta com muitos idosos e eles são impressionantes, têm vontade de aprender, uma alegria de viver”, falou.

E percebendo a evolução do grupo, Clécio começou a propor desafios maiores. O primeiro foi participar de uma apresentação no bairro, ocorrida durante evento da Rede Abraço do Amarais. “Eu percebi que eles poderiam criar algo bacana, que são capazes. Chegaram com um pouco de medo, meio receosos, mas fizeram bonito e acabaram querendo mais e mais”, apontou.

O próximo passo foi mais desafiador. “Existe um evento de dança muito conhecido, que reúne bailarinos, coreógrafos e grupos de dança de todo o País. Pensei em levá-los e eles toparam. Decidimos fazer um Flash Mob (aglomerações instantâneas de pessoas em certo lugar para realizar uma ação – como dança – previamente combinada) e acabou sendo um sucesso. As pessoas ficaram muito encantadas e emocionadas e os alunos adoraram”, admitiu Clécio.

E o desafio para este ano não é menor. A meta é levar o grupo para participar dos Jogos Regionais da Terceira Idade (Jori), que será em Americana/SP. “O pessoal já está animado e vamos nos programar para ir. E que venham novos desafios porque o pessoal aqui encara o que vier”, finalizou Clécio.

 

Saiba mais: www.maemariarosa.org.br