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Grupo de participação cidadã transforma território e beneficia comunidade

Grupo de participação cidadã transforma território e beneficia comunidade

(Por Laura Gonçalves)

Discutir questões, potencialidades e desafios do território, instrumentalizando a todos que desejam se envolver no Coletivo do Território. O grupo surgido no Centro Promocional Tia Ileide (CPTI), entidade parceira da Fundação FEAC, reúne representantes da instituição, líderes comunitários e moradores, que participam do espaço de discussão e diálogo dedicado a pensar ações para a melhoria da qualidade de vida da população.

Em atuação desde 2015, o grupo é composto por representantes dos núcleos residenciais Vila Francisca, Sete de Setembro, Rosália, Portelinha, São Luiz e Vila Padre Josimo. E também conta com a participação esporádica de representantes de outros bairros do entorno da entidade, localizada na Chácara Boa Vista – região Norte de Campinas/SP.

O Coletivo do Território reúne ainda outros aliados como o Centro de Saúde (CS) Rosália e o Centro de Referência de Assistência Social (CRAS – Vila Régio) “Em ações específicas também mobilizamos parceiros para compor conosco. Essa articulação é muito importante para que possamos avançar”, explicou a gerente de mobilização de recursos e comunicação do CPTI, Fabíola Cavalcanti.

Nas reuniões, todos os líderes comunitários assumem suas funções na gestão do Coletivo que tem como base princípios de cooperação e promoção da integração para alcançar objetivos e propósitos comuns. “Nós temos que despertar a comunidade, mobilizar a todos para que juntos possamos concretizar algo. Nosso grupo une forças em torno de objetivos comuns”, contou o presidente da Associação de Moradores da Vila Francisca, Valdino Pereira Santana.

O grupo também incentiva as pessoas das comunidades a adotarem novas posturas na convergência de ideias, na convivência com opiniões divergentes e nos seus atos, buscando o atendimento das necessidades e objetivos comuns.

“No nosso grupo, o papel do líder comunitário é amplo. Além de dirigente, ele exerce o papel de morador em sua comunidade e conhece todas as necessidades e problemas vivenciados diariamente.  Todos trabalham cada vez mais pela melhoria da qualidade de vida de sua comunidade, exercendo influência sobre o desenvolvimento local”, explicou Tamara Duarte, psicóloga do Centro de Convivência do CPTI, e uma das participantes do Coletivo do Território.

De acordo com a assessora técnica do Departamento de Assistência Social da Fundação FEAC, Carla Nascimento, os serviços de convivência e fortalecimento de vínculos e os centros de convivência inclusivos e intergeracionais, como o CPTI, têm como objetivo olhar além dos muros da instituição. “É preciso ter um olhar ampliado, oferecer ações de potencialização com as famílias e comunidade em geral para que de fato se diminuam as vulnerabilidades identificadas em cada território. Também favorecer o fortalecimento do território, afinal, as pessoas do serviço nem sempre são moradores do entorno; eles vêm e vão, os moradores permanecem, e a apropriação desse espaço, o sentimento de pertencimento uma vez aflorado, certamente contribuirá para qualidade de vida comunitária”, ponderou.

Ações e conquistas

Todas as segundas-feiras, um médico do Centro de Saúde Rosália vai até a comunidade da Vila Francisca para falar sobre assuntos de saúde, como diabetes, pressão alta, entre outros. O CS também começou a utilizar o espaço do CPTI no bairro outras duas vezes por semana para atender a população. “Essa articulação do Coletivo foi muito importante para o bairro, uma conquista muito grande, uma vez que essa comunidade não tem um posto de saúde”, argumentou a psicóloga.

Para a moradora da região, dona Neide de Oliveira, após a união dos moradores, associações e CPTI, os ganhos foram enormes. “Conseguimos até levar aula de zumba para o pessoal. Aqui nós não temos nenhuma atividade de lazer e esporte, e a zumba animou a turma. Também temos a Roda de Conversa que leva para a população assuntos relevantes do dia a dia, como violência, meio ambiente e diversidade”, contou.

A reforma da praça na Vila Francisca também foi conquistada. “O espaço ficou uma beleza e todos os moradores usam o local para fazer churrasco nos finais de semana e para passear. Nosso bairro é muito carente e os moradores precisam de praças, campos e outros locais para se divertirem”, falou Valdino.

Atividades pontuais também acontecem nas comunidades participantes do Coletivo do Território. No ano passado houve uma caminhada para a plantação de mudas nos bairros e uma atividade de prevenção de arboviroses, doenças transmitidas por picadas de mosquitos.

Outra reivindicação que está na pauta é a construção de duas passarelas. “Toda papelada está documentada e estamos aguardando. Temos muitas linhas férreas na região e já tivemos diversos acidentes. Essa situação tem que mudar urgente porque são vidas humanas que estão em jogo”, observou Valdino.

Durante essa entrevista, uma nova sugestão foi dada ao grupo. A moradora Maria Neuza Gonçalves sugeriu um curso noturno de alfabetização que já entrou na pauta. “Precisamos muito dessas aulas porque o número de analfabetos na nossa comunidade é grande. Vamos lutar para conseguir mais esse benefício”, resumiu.

Parceria

Para exercer a cidadania de modo ativo na comunidade, a união dos moradores e as parcerias se tornam essenciais para as conquistas do Coletivo.

Segundo Valdino, as necessidades são tantas que é preciso mais envolvimento do poder público. “Estamos iniciando uma nova luta que é trazer uma unidade de saúde para o bairro, já que não possuímos uma. Fazemos a nossa parte, contamos com parcerias, mas tem hora que o problema ultrapassa nossa força. As ações que saem do nosso grupo andam e funcionam, mas é preciso mais”, enfatizou.

De acordo com a psicóloga Tamara, o Coletivo ganhou uma participação da Coordenadoria de Distrito da Assistência Norte, que deverá ser muito útil para as questões relacionadas à administração municipal. “Com esse representante saberemos os caminhos a serem seguidos e isso nos poupará tempo para que alcancemos nossos objetivos”, explicou.

De acordo com a supervisora do Departamento de Assistência Social da Fundação FEAC, Ana Lídia Puccini, a Fundação apoia e participa de reuniões intersetoriais, fóruns, formações e assessoria territorial. “Entendemos que a FEAC, como parte integrante da política de assistência social no âmbito do assessoramento, também tem esse papel de compor com a rede local para discutir e ampliar o conhecimento público sobre essa política, levar informações do território municipal e nacional para os debates, fomentar a participação da população em instâncias de controle social e fortalecer o protagonismo dos usuários na defesa de seus direitos”, frisou.

Saiba mais: www.cpti.org.br