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Feira de Economia Solidária promove fortalecimento de vínculo comunitário

Feira de Economia Solidária promove fortalecimento  de vínculo comunitário

(Por Laura Gonçalves Sucena)

Um grupo reunido com o objetivo de mudar a realidade do território onde vive.  Com esse intuito, os moradores do bairro Village, no distrito de Barão Geraldo, localizado na região Norte de Campinas/SP, decidiram unir forças para promover o fortalecimento de vínculos familiares e comunitários por meio de ações social e de lazer.

A união, promovida por representantes da Associação de Moradores e Proprietários do Village Campinas (Amprovic), da AMIC – unidade Village, do Conselho de Saúde local, da Escola Estadual Dora Maria Maciel de Castro Kanso e da Igreja Nossa Senhora de Fátima, resultou na Feira de Economia Solidária do Grande Village. No total, o evento reuniu cerca de 20 produtores locais expondo itens alimentícios e artesanato.

De acordo com a assistente social da AMIC e também moradora do Village, Luciane Spíndola, o bairro conta com muitos produtores rurais de pequeno porte, o que dificulta a socialização das famílias. “A feira surgiu dessa necessidade de união e de fortalecimento de vínculos entre os moradores. Unidos podemos demandar as melhorias que precisamos. Aqui não temos uma única praça, não temos lazer para nossas crianças e não podemos continuar dessa maneira”, admitiu.

O trabalho desenvolvido na AMIC pela Fundação FEAC, por meio do programa Primeira Infância em Foco (PIF), do Departamento de Educação, também contribuiu para a união dos moradores. “Por meio do PIF começamos a ter um contato maior com as famílias, ficamos mais próximos e ainda falamos de assuntos que interferem no dia a dia das crianças, como a alimentação, por exemplo. Aos poucos descobrimos que muitos pais possuem hortas em suas casas, diversas mães fazem artesanatos, outras cozinham, fazem doces e muito mais. Se temos tantos talentos, por que nós não nos organizamos?”, questionou Luciane.

Sabendo também da existência dos pequenos produtores, a feira foi pensada para servir como alternativa de renda para as famílias. “Temos diversos talentos escondidos no nosso bairro. Muitas mulheres trabalham com artesanato, existem muitas hortas nas casas e chácaras e esta é mais uma oportunidade para a nossa comunidade. Além disso, a feira é um ponto de comércio local e lazer onde as pessoas podem se encontrar, conversar, socializar e fazer compras”, completou Rita Lélis, moradora do Vale das Garças e também representante do Conselho de Saúde da região Norte.

Fernanda Felici, moradora do Village e expositora, conta que a comunicação entre as pessoas resultou não somente na realização da feira, mas também na união para futuras demandas do bairro. “O Village está se organizando e isso só nos fortalece. A feira está incrível porque ocupamos esse espaço público e as pessoas que passam ficam curiosas e param para saber o que estamos fazendo. Tenho certeza que nosso próximo evento será ainda melhor e que vamos ter novas conquistas”, afirmou.

Para a presidente da Amprovic e professora de arquitetura, Nelly Nahum, o trabalho em rede vem fortalecendo a comunidade, mas muito ainda precisa ser feito. “Não temos locais públicos de lazer, não existe praça no bairro, as famílias não têm locais para se divertirem. Fazemos o que é possível e já estamos sistematizando no Village o programa ‘Vizinhança Solidária’, que tem o intuito de resgatar a segurança por meio do contato entre moradores e Polícia Militar. Também oferecemos oficinas de artesanato, culinária e aulas de dança e capoeira e estamos fazendo um trabalho grande de cidadania”, garantiu.

A professora ainda explica que, devido sua profissão, tem elaborado diversos projetos para praças públicas e mantem contato com a Prefeitura Municipal. “Há muita dificuldade do poder público em entender nossa situação. Há locais destinados a praças e eles que querem dar outro destino. Não podemos permitir isso e nossa união é que irá garantir a preservação do nosso território”, frisou.

Para o gestor do Departamento de Assistência Social (DAS) da Fundação FEAC, Lincoln Moreira, apoiar a iniciativa, que também conta com a AMIC, instituição de educação infantil parceira da FEAC, é contribuir com desenvolvimento local e com fortalecimento do tecido social que diretamente contribui para desenvolvimento humano. “Podemos dizer que a feira com este caráter solidário é uma estratégia eficaz de aproximação das organizações, mas fundamentalmente de novas perspectivas de direitos sociais para a população deste território”, garantiu.

Novas conquistas

Outro trabalho que vem sendo desenvolvido por meio da união dos esforços dos moradores locais é a conscientização na utilização de agrotóxico para a produção rural.

Moradora local e professora na área de saúde coletiva da Unicamp e membro da Rede de Agroecologia da Unicamp, Joseli Rimoli, participa de um projeto sobre a transição agroecológica na Região Metropolitana de Campinas.  Por meio do seu trabalho, Jô, como é conhecida, está em contato com os produtores rurais do Village e vem estimulando a produção de orgânicos nas propriedades.

“O projeto encoraja a transição agroecológica, apoia grupos de agricultura familiar e incentiva a comercialização. Na área da saúde também estudamos o perfil epidemiológico dos agricultores e detectamos problemas de saúde. Assim começamos a fazer um trabalho com esses produtores para a mudança da agricultura tradicional para a orgânica”, explicou.

A ideia é conscientizar os pequenos agricultores sobre os problemas causados com a utilização do agrotóxico e sobre os benefícios do orgânico. “Nossa pesquisa foi muito mais abrangente e tem diversas áreas envolvidas, mas basicamente estamos apoiando essa mudança em diversos pontos do município e também aqui no Village”, contou a professora.

O produtor de hortaliças Celso Hoshika diz que sempre se preocupou com o uso de agrotóxicos. “Já há anos uso defensivos orgânicos e o químico só em caso de extrema necessidade. Com a associação do bairro conheci a Jô, que me falou do trabalho que está desenvolvendo e me interessei sobre o orgânico. Precisava de um conhecimento mais profundo sobre o assunto e com a ajuda oferecida estamos em estudo para essa transição. Tenho certeza que o benefício será imenso tanto para mim quanto para meus consumidores”, concluiu.

Saiba mais:

https://amprovic.wordpress.com/

www.amic.org.br/