Notícias

Boldrini continua com campanha para pagamento de medicamento contra leucemia

Boldrini continua com campanha para pagamento  de medicamento contra leucemia

(Por Laura Gonçalves Sucena)

A ginasta Giovana Ferreguetti é uma lutadora. Aos 14 anos foi diagnosticada com Leucemia Linfoide Aguda (LLA) e teve que mudar sua vida completamente. Internada no Centro Infantil Boldrini, de Campinas/SP, a menina que sonha em fazer faculdade de Educação Física, está utilizando o medicamento Aginasa, cujo princípio ativo é a asparaginase.

Tudo isso foi possível porque a Dra. Silvia Brandalise, presidente do hospital e coordenadora do Grupo Brasileiro de Tratamento da Leucemia Aguda na Infância, conseguiu importar 500 frascos do medicamento de eficácia comprovada para o tratamento da LLA. “A asparaginase alemã é fundamental para o sucesso do tratamento da doença nas primeiras duas a quatro semanas. O medicamento foi importado com recursos próprios do hospital e agora precisamos contar com a ajuda da população para arrecadar o valor necessário para o pagamento da medicação”, falou.

A importação do medicamento alemão começou porque o Boldrini, instituição parceira da Fundação FEAC, se posicionou contra à decisão do Ministério da Saúde que passou a importar e distribuir aos hospitais brasileiros que tratam a LLA, o medicamento LeugiNase, produzido pelo laboratório Beijing SL Pharmaceutical, representado pela empresa Xetley S.A.

O remédio despertou preocupação entre especialistas, uma vez que não tem eficácia comprovada por estudos clínicos publicados em revistas técnico-científicas indexadas e não teve seus estudos sobre toxicidades devidamente apresentados. A LeugiNase é registrada na China em estudos pré-clínicos (realizados somente em animais), todavia não é comercializada no próprio país fabricante.

“A equipe de pesquisadores do Boldrini também realizou testes com o chinês LeugiNase e nossa preocupação surgiu com a identificação de grande quantidade de impurezas detectadas. Outros órgãos também detectaram o mesmo. Não podemos brincar com um assunto tão sério”, ressaltou Dra. Sílvia.

Em maio, após manifestação favorável do Ministério Público Federal, o juiz da 6ª Vara Federal de Campinas concedeu a liminar, determinando que a União Federal realize a importação do medicamento já utilizado, assegurando seu fornecimento ao Centro Infantil Boldrini.

Porém, o Ministério da Saúde só entregará os frascos do medicamento alemão em setembro e o Boldrini teve que se antecipar e arcou com a importação. “Contamos com a colaboração de todos para conseguirmos pagar o medicamento que está suprindo a falta do medicamento cedido pelo Ministério da Saúde. Somente em setembro receberemos 150 frascos, então temos que dar continuidade à entrega mensal, caso se mantenha a decisão judicial”, explicou. E a campanha não vai parar porque não podemos ficar sem o Aginasa”, completou a Dra. Silvia.

Tratamento e doações

Para a mãe da ginasta Giovana, o sentimento que fica é de agradecimento. “Confio plenamente no Boldrini e no que a Dra. Silvia nos explica. Não posso deixar a minha filha tomar um medicamento sem eficácia comprovada. Não consigo compreender como o Ministério da Saúde importa e distribui um remédio que não é aceito pelos médicos e que causa preocupação. Estamos falando de vidas”, ressaltou Michelle Ferreguetti.

Michelle também está otimista com a chegada do medicamento. “O câncer não espera e é preciso continuar com a medicação certa. Não é somente minha filha que está nessa situação e Aginasa faz parte do tratamento. As chances de cura são maiores se seguirmos o protocolo. Estou confiante que tudo vai dar certo e ela vai se curar”, frisou.

Para a pequena Giovana é preciso acreditar que o remédio não vai faltar. “Minha vida deu uma reviravolta e eu tenho que ser forte para passar pelo tratamento. Descobrir o câncer não foi fácil e o tratamento é doloroso, mas estar aqui no Boldrini já é uma esperança a mais. Tenho certeza que vou voltar para a minha vida, para meu esporte e tudo vai dar certo”, finalizou.

As doações podem ser feitas no Banco do Brasil, agência 3360-X e conta corrente 3366-9.

Sobre o Centro Infantil Boldrini

Maior hospital especializado na América Latina, localizado em Campinas/SP, há 39 anos o Centro Infantil Boldrini atua no cuidado a crianças e adolescentes com câncer e doenças do sangue. Atualmente, o Boldrini trata cerca de 10 mil pacientes de diversas cidades brasileiras e alguns de países da América Latina, a maioria (80%) pelo Sistema Único de Saúde (SUS). Um dos centros mais avançados do país, o Boldrini reúne alta tecnologia em diagnóstico e tratamento clínico especializado, comparáveis ao Primeiro Mundo, disponibilidade de leitos e atendimento humanitário às crianças portadoras dessas doenças.

Informações: doe.boldrini.org.br e www.boldrini.org.br