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A importância do vínculo entre criança e educador

A importância do vínculo entre criança e educador

(Por Laura Gonçalves)

O vínculo entre a criança e o educador se constrói por meio dos cuidados diários, com um olhar refinado e diferenciado que identifica oportunidades de contribuir com o desenvolvimento de cada criança. Com este intuito, instituições de educação infantil parceiras da Fundação FEAC começam a se especializar para garantir um processo de acompanhamento do desenvolvimento na infância.

O objetivo é o pleno desenvolvimento infantil e, por isso, profissionais da AMIC Village, Meimei, Serviço Social da Paróquia São Paulo Apóstolo (SPES), Creche Menino Jesus de Praga e Semente da Vida, por meio do programa Primeira Infância em Foco, do Departamento de Educação da FEAC, participaram da formação ‘Inclusão e avaliação na abordagem Pikleriana’, realizada pela pedagoga, mestre em educação e especialista em educação infantil, Leila Oliveira Costa.

“Quando a criança entra na creche, a figura de apego é o educador, por isso é importante ter a clareza de que vários aspectos do desenvolvimento são sustentados pela relação com o adulto. Os momentos de cuidados corporais (troca, banho e alimentação), tão presentes na rotina diária dos pequenos, são fundamentais para a construção de vínculos. É por meio desses momentos, de encontros singulares e sem pressa, que o professor, ao observar e conversar com os pequenos, propicia o fortalecimento de vínculos afetivos”, explica Adriana Nunes Silva, assessora técnica do Departamento de Educação da FEAC.

Também é preciso aprender a observar as crianças de zero a três anos e saber o quão ativas elas são, pois já nascem com uma tendência inata ao desenvolvimento. “Desta forma, ao educador cabe a tarefa de transmitir aos pequenos o sentimento de competência, respeitando seu tempo e ritmo. Além disso, é necessário que o ambiente oferecido pela creche seja seguro e favorável ao desenvolvimento infantil”, completa a assessora.

Conforme defende a doutora em psicologia e especialista em Educação Infantil, a argentina Myrtha Chokler, as transformações internas permitem a aquisição de competências necessárias para exercer atitudes progressivamente mais autônomas. Essa autonomia vem com a aquisição da segurança. Ao nascer a criança ainda se sente parte da mãe e necessita de um adulto que seja referência. É ele quem garante sua sobrevivência e valoriza sua existência oferecendo os cuidados adequados.

Desenvolvimento

Para a pediatra húngara Emmi Pikler, a conquista autônoma dos movimentos da criança está ligada ao desenvolvimento cognitivo.  “A atividade motora da criança está diretamente conectada com a construção da singularidade da criança e à imagem que ela faz de si mesma”, ressaltou Leila.

Para orientar a observação do desenvolvimento da criança, a equipe de pesquisadores do Instituto Pikler-Lóczy criou um roteiro, intitulado Escala do Desenvolvimento. Através dele sãos observados os desenvolvimentos das funções mais simples dos pequenos, porém as mais essenciais: desenvolvimento motor; atitudes durante os cuidados (alimentação, banho e vestimenta); desenvolvimento intelectual; esfíncteres; e vocalização e palavra. “Cada uma dessas cinco áreas conta com itens a serem observados. A cuidadora deve ficar atenta porque há várias habilidades que podem demorar meses para acontecerem e umas também iniciam antes das outras”, esclareceu Leila.

As crianças podem desenvolver algumas funções mais rapidamente do que outras, mas é importante que não se ultrapasse nenhuma etapa. “Pais querem que seus filhos pulem etapas e isso é natural porque querem formar a criança para serem adultos. Existe o amor à precocidade. Mas a questão é que quando isso acontece, a criança acaba não desenvolvendo certos esquemas motores e cerebrais e acaba apresentando algumas dificuldades de aprendizagem”, observou.

De acordo com a pedagoga, é preciso não ter pressa e adotar boas orientações sobre as etapas de desenvolvimento progressivo e autônomo dos pequenos. “Caso o educador ou os pais percebam que a criança apresenta algum risco de desenvolvimento de alguma habilidade é preciso dar segurança, criar o vínculo do apego e tirar os impedimentos que foram colocados”, ressaltou.

Olhar diferenciado

“Ao estudar a Abordagem Emmi Pikler* encontramos os organizadores do desenvolvimento motor que são: valorização do vínculo de apego entre o cuidador e a criança; a comunicação; a exploração (brincar livre); a seguridade postural (liberdade do movimento); e a ordem do simbólico (que se constitui na apropriação das mensagens). Na abordagem Pikleriana não existe deficiência e sim habilidades diferenciadas, por isso é importante um olhar refinado do cuidador e uma figura central em quem a criança possa confiar”, explicou a pedagoga Leila Oliveira.

A figura central é o educador referência da criança. Por meio de cuidados diários, como na hora do banho e na troca de fraldas, é ele quem estabelece momentos diferenciados com os pequenos. A conversa e a comunicação sobre as atividades que serão realizadas estimulam a reciprocidade e a criança se torna protagonista da ação. “Em muitas situações, o sentimento de competência é bloqueado pelo adulto, por exemplo, na hora da alimentação quando a criança tem que dar a mordida para estimular os músculos. Sob o pretexto de ajudá-la, o adulto a priva de finalizar a ação que ela começou, interrompendo uma etapa de desenvolvimento”, observou Leila.
(Saiba mais sobre a alimentação autônoma de crianças)

“O tempo e a rotina nos cuidados diários com as crianças de zero a três anos proporcionam tranquilidade e segurança para o desenvolvimento de movimentos livres e de equilíbrio. A criança necessita do olhar direto do educador apontando as conquistas e narrando o que está acontecendo, despertando a oralidade e aprimorando a comunicação dos pequenos. A atividade autônoma também deve ser valorizada”, explicou a assessora técnica da FEAC, Denilze Ricciardelli.

Instituições

As instituições AMIC Village, SPES e Meimei, já contam com um professor referência e podem oferecer esse olhar diferenciado ao aluno. “No ano passado, começamos o processo do professor referência que passa a ver a criança com acolhimento e carinho. O vínculo é feito de uma forma progressiva e o educador percebe a dificuldade da criança como uma superação a ser vencida por ela mesma. Os nossos pequenos hoje são mais autônomas e confiantes”, explicou Michelly Salomão, orientadora educacional da creche SPES. De acordo com a ela, graças a esse novo olhar foi possível detectar um caso de hipotonia (diminuição do tônus muscular e da força) em uma das crianças que chegou na creche com 7 meses. “Passamos a observá-lo e assisti-lo de uma forma singular. O pequeno criou o vínculo de afeto com a educadora e passou a ter confiança. A educadora informava ao pequenino quando ia deixar a sala, estabeleceu uma comunicação plena com a criança e hoje ele está confiante e desenvolveu suas habilidades. Ele próprio achou os meios naturais para seu desenvolvimento”, observou.

Os pequenos da AMIC Village também contam com professor referência e o desafio é propagar esse vínculo seguro para todas as crianças da creche. “O professor saiu de seu papel principal de ator e tornou-se coadjuvante da criança, sendo bom observador e preparador de ambientes” explicou a orientadora pedagógica Amanda Verzaro.

“Já tivemos uma criança que chegou na creche com 1 anos e 5 meses muito quieta, o que é incomum nessa idade. Com as formações propostas pelo Primeira Infância em Foco, da FEAC, passamos a observar de modo especial cada uma delas e esse olhar especial é fundamental para o pleno desenvolvimento”, garantiu Amanda

 

 

 

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